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O que se viu no palco do Teatro de Cultura Popular, na sexta-feira passada, quando a cantora potiguar Khrystal fez o show de lançamento de seu primeiro disco, Coisa de Preto, foi uma artista madura, completa. Muito à vontade, ela dominou com facilidade a cena, e com o microfone na mão cresceu no palco, tomou conta de todos os espaços e não deixou o público sequer piscar os olhos. Segura do faz, ela brincou com voz, ora suave ora forte, rodopiou como uma autêntica coquista, mas enfatizou, ‘‘não tenho pretensão de ser uma intérprete de coco, esse CD é apenas uma homenagem a esse ritmo potiguar’’. No final, com a platéia já de queixo caído com o seu desempenho, Jackson Luiz, filho dela com o produtor cultural José Dias, subiu no palco e deu um show de espontaneidade, característica inerente a quem ainda não passou de um metro de altura, arrancando gargalhadas do público e deixando a mãe num misto de desconserto e orgulho.
Meio Elza Soares. Um pouco de Maria Rita. Comparações como estas podem até surgir. Mas, é inegável também, perceber a construção de uma identidade única, e uma personalidade musical que não deixa a desejar a nenhum outro nome, tenha ele assinatura local ou de outras dimensões. Talvez, tivesse Khrystal nascido em um estado onde os holofotes da cultura estão mais voltados para ele, como Rio de Janeiro ou São Paulo, sua voz já tivesse encontrado eco pelo país.
Geralmente, a boa produção de um CD - este levou mais de um ano para ser entregue ao público - nos leva a pensar que o empenho do artista, e seus parceiros, chegou ao máximo durante os exaustivos meses de ensaio e gravação em estúdio. Mas, no caso de Khrystal, a grande surpresa é a superação. Pequena em estatura, mas gigante na postura de palco, a cantora consegue uma façanha que é digna apenas dos artistas que entendem a relação de encantamento que deve existir entre o interlocutor e sua voz. É como se ali, do alto daquele palco, ciente do fazer artístico e de sua responsabilidade, ela conseguisse elevar todos ao mesmo patamar. Impossível não bater palmas, impossível não balançar os pés, e sentir o coração no compasso da percussão e dos acordes ora acústicos, ora eletrônicos. Impossível não lamentar que o público do TCP embora atento e generoso era seleto demais, pequeno demais, para a dimensão da voz e do talento dessa cantora. Oxalá o Rio Grande do Norte aprenda a ouvir Khrystal e com isso, nunca mais deixe de se embalar com seu (en)canto.
Hayssa Pacheco e Sheyla Azevedo Da equipe do Diário de Natal

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